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NOME

git-bisect - Utilize a pesquisa binária para localizar o commit que introduziu um bug

RESUMO

git bisect <subcomando> <opções>

DESCRIÇÃO

O comando assume vários subcomandos das diferentes opções dependendo do subcomando:

git bisect start [--term-{old,good}=<term> --term-{new,bad}=<term>]
	  [--no-checkout] [<bad> [<good>...]] [--] [<caminhos>...]
git bisect (bad|new|<novo-termo>) [<rev>]
git bisect (good|old|<termo-antigo>) [<rev>...]
git bisect terms [--term-good | --term-bad]
git bisect skip [(<rev>|<range>)...]
git bisect reset [<commit>]
git bisect (visualize|view)
git bisect replay <logfile>
git bisect log
git bisect run <cmd>...
git bisect help

Este comando utiliza um algoritmo de pesquisa binária para descobrir qual o commit no histórico do seu projeto introduziu um "bug" (problema). Você o utiliza informando primeiro a um commit "bad" (ruim) que é informado por conter o bug e um commit "good" (bom) informado antes da introdução do bug. Então o comando git bisect seleciona um commit entre estes dois pontos extremos e pergunta se o commit selecionado é "bom" ou "ruim". Continua estreitando o intervalo até encontrar o commit exato responsável pela introdução da alteração.

De fato, o comando git bisect pode ser utilizado para encontrar o commit que alterou qualquer propriedade do seu projeto; um commit que corrigiu um problema ou um commit que fez com que o desempenho de um benchmark melhorasse por exemplo. Para dar apoio a nesta utilização mais genérica, os termos "old" (antigo) e "new" (novo) podem ser utilizados no lugar de "good" (bom) e "bad" (ruim), ou escolha os seus próprios termos. Consulte a seção "Termos alternativos" abaixo para obter mais informações.

Comandos "bisect" básicos : start (começar), bad (ruim), good (bom)

Como exemplo, suponha que você esteja tentando encontrar um commit que estragou um recurso que funcionava na versão v2.6.13-rc2 do seu projeto. Você começa uma seção "besect" como demonstrado abaixo:

$ git bisect start
$ git bisect bad                 # A versão atual está ruim
$ git bisect good v2.6.13-rc2    # v2.6.13-rc2 é conhecido por estar bom

Uma vez que você tenha utilizado pelo menos um commit ruim e um commit bom, o comando git bisect seleciona um commit no meio deste intervalo do histórico, faz a averiguação e produz algo como por exemplo:

Bisecting: 675 revisões deixadas para testar depois disso (aproximadamente 10 passos)

Agora você deve compilar a versão com check-out e testá-la. Caso esta versão não funcione corretamente, digite

$ git bisect good

Se essa versão estiver quebrada, digite

$ git bisect bad

Então o comando git bisect irá responder algo como

Bisecting: 337 revisões deixadas para testar depois disso (aproximadamente 9 passos)

Continue repetindo o processo: compile a árvore, teste-a e dependendo se ela for boa ou ruim, execute o comando git bisect good ou ` git bisect bad` para solicitar o próximo commit que precisa ser testado.

Eventualmente, não haverá mais revisões a serem inspecionadas e o comando exibirá uma descrição do primeiro commit ruim. A referência refs/bisect/bad será deixada apontando para o commit.

Bisect reset

Para limpar a condição geral bisseção e retornar ao HEAD original, execute o seguinte comando:

$ git bisect reset

É predefinido que isso faça com que a sua árvore retorne para o commit que foi retirado antes do git bisect start. (Um novo git bisect start também fará isso, pois limpa a condição antiga da bisseção.)

Com um argumento opcional, você pode retornar para um commit diferente:

$ git bisect reset <commit>

Por exemplo, git bisect reset bisect/bad irá verificar a primeira revisão ruim enquanto o git bisect reset HEAD deixará você no commit atual da bisseção evitando a alternância para outros commits.

Termos alternativos

Às vezes, você não está procurando por um commit que introduziu um problema, mas sim um commit que causou uma alteração "antiga" entre alguma condição "nova". Você pode estar procurando por um commit que introduziu uma correção em específico por exemplo. Ou você pode estar procurando o primeiro commit onde os nomes dos arquivos do código-fonte foram finalmente convertidos para o padrão de nomes da sua empresa. Ou algo assim.

Nesses casos, pode ser muito confuso utilizar as opções "good" e "bad" para se referir a "condição antes da mudança" e "a condição após a mudança". Portanto, você pode utilizar os termos "old" e "new" respectivamente, no lugar de "good" e "bad". (Observe que não é possível misturar "good" e "bad" com "old" e "new" em uma única sessão.)

Neste uso mais geral, você utiliza o comando git bisect com um commit "new" que tem alguma propriedade e um commit "old" que não tem nenhuma. Cada vez que o comando git bisect faz a verificação de um commit, você testa se o commit tem a propriedade. Em caso afirmativo, marque o commit como "new"; Caso contrário, marque-o como "old". Quando a bisseção tiver sido concluída, o comando git bisect informará qual o commit que introduziu a propriedade.

Para utilizar "old" e "new" em vez de "good" e "bad", você deve executar git bisect start sem nenhum commit e depois executar os seguintes comandos para adicionar os commits:

git bisect old [<rev>]

para indicar que um commit foi feito antes da alteração solicitada, ou

git bisect new [<rev>...]

para indicar que foi depois.

Para receber um lembrete dos termos utilizados no momento, utilize

git bisect terms

Você pode obter apenas o termo antigo (respectivamente novo) com git bisect terms --term-old ou git bisect terms --term-good.

Caso queira utilizar os seus próprios termos em vez de "bad"/"good" ou "new"/"old", escolha qualquer nome que quiser (exceto os subcomandos bisect já existentes como reset, start, …​) iniciando uma bisseção utilizando

git bisect start --term-old <termo-antigo> --term-new <novo-termo>

Caso esteja procurando por um commit que introduziu uma regressão ao desempenho, poderá utilizar por exemplo

git bisect start --term-old fast --term-new slow

Ou caso esteja procurando o commit que corrigiu um problema, você pode usar

git bisect start --term-new fixed --term-old broken

Então, utilize git bisect <termo-antigo> e git bisect <novo-termo> em vez de git bisect good e git bisect bad para marcar os commits.

Bisect visualize/observe

Para ver os suspeitos restantes no gitk, utilize o seguinte comando durante o processo de bisseção (o view do subcomando pode ser utilizado como uma alternativa ao visualize):

$ git bisect visualize

Caso a variável de ambiente DISPLAY não seja definido, o comando git log é utilizado em seu lugar. Você também pode utilizar as opções -p e --stat na linha de comando.

$ git bisect visualize --stat

Bisect log e bisect replay

Depois de ter marcado as revisões como boas ou ruins, emita o seguinte comando para exibir o que foi feito até agora:

$ git bisect log

Caso descubra que cometeu um erro ao especificar a condição de uma revisão, é possível salvar o arquivo gerado em um arquivo, editá-lo para remover as entradas que estiverem incorretas e em seguida, utilizar os seguintes comandos para corrigir a condição de corrigido:

$ git bisect reset
$ git bisect replay that-file

Evitando o teste de um commit

Se no meio de uma sessão bisect, você sabe que a revisão sugerida não é boa para testar (ela falha em construir e você sabe que a falha não tem nada a ver com o bug que você está procurando por exemplo), é possível selecionar manualmente um commit próximo e testá-lo em vez disso.

Por exemplo:

$ git bisect good/bad			# a rodada anterior estava boa ou ruim.
Bisecting: 337 revisions left to test after this (roughly 9 steps)
$ git bisect visualize			# oops, isso não foi interessante.
$ git reset --hard HEAD~3		# tente 3 revisões anteriores
					# ao que foi sugerido

Em seguida, compile, teste a revisão escolhida e depois marque a revisão da maneira usual como boa ou ruim.

Bisect skip

Em vez de escolher um commit próximo, é possível pedir ao Git para fazer isso por você, utilizando o comando:

$ git bisect skip                 # A versão atual não pode ser testada

No entanto, caso você pule um commit adjacente ao que você está procurando, o Git não saberá exatamente qual destes commits foi o primeiro que estava ruim.

É possível Você também pular um intervalo de commits em vez de apenas um, utilizando a notação do intervalo. Por exemplo:

$ git bisect skip v2.5..v2.6

Isso diz ao processo "bisect" que nenhum commit após a versão v2.5 e até a versão v2.6, deve ser testada.

Observe que, caso você também queira pular o primeiro commit do intervalo, utilize o seguinte comando:

$ git bisect skip v2.5 v2.5..v2.6

Informa ao processo "bisect" que os commits entre as versões v2.5 e v2.6 (inclusive) devem ser ignorados.

Reduza a bisseção informando mais parâmetros para o início do bisect

É possível reduzir ainda mais a quantidade de tentativas caso saiba que parte da árvore está envolvida no problema que você está procurando ao informar os parâmetros do caminho durante a utilização do comando bisect start:

$ git bisect start -- arch/i386 include/asm-i386

Caso saiba de antemão se há mais de um commit bom, é possível restringir o espaço do "bisect" ao informar todos os commits bons imediatamente após o commit com problema quando utilizar o comando bisect start:

$ git bisect start v2.6.20-rc6 v2.6.20-rc4 v2.6.20-rc1 --
                   # v2.6.20-rc6 é ruim
                   # v2.6.20-rc4 é v2.6.20-rc1 está bom

Bisect run

Caso tenha um script que possa dizer se o código-fonte atual é bom ou ruim, é possível fazer o "bisect" utilize o seguinte comando:

$ git bisect run meu_script opções

Observe que o script (meu_script no exemplo acima) deve encerrar com o código 0 caso o código-fonte atual seja bom/antigo e encerrar com um código entre 1 e 127 (inclusive), exceto 125, caso o código-fonte atual seja ruim/novo.

Qualquer outro código gerado interromperá o processo bisect. Deve ser observado que um programa que encerra com exit (-1) deixa um $? = 255, (consulte a página do manual exit(3)), pois o valor é cortado com & 0377.

O código especial 125 da saída deve ser utilizado quando o código-fonte atual não puder ser testado. Caso o script encerre com este código, a revisão atual será ignorada (consulte o comando git bisect skip acima). O 125 foi selecionado como o maior valor a ser utilizado para esta finalidade, pois 126 e 127 são utilizandos pelos shells POSIX para sinalizar uma condição de erro específica (127 é utilizado para o comando não encontrado, 126 é para o comando que foi encontrado, mas não é executável - estes detalhes não são importantes, pois são erros normais do script, no que diz respeito ao comando bisect run).

Muitas vezes você pode achar que durante uma sessão bisect você queira ter alterações temporárias (s/#define DEBUG 0/#define DEBUG 1/ ao cabeçalho de um arquivo, ou "a revisão que não tem este commit e precisa que esta correção seja aplicada como um quebra galho que seja irrelevante para esta bisseção por exemplo") aplicada à revisão que está sendo testada.

Para lidar com esta situação, depois que o comando git bisect encontrar a próxima revisão para ser testada, o script poderá aplicar o patch antes da compilação, executar um teste real e depois decidir se a revisão (possivelmente com a correção necessária) passou no teste e depois retornar a árvore para a sua perfeita condição. Finalmente, o script deve encerrar com a condição do teste real permitindo que o loop de comando git bisect run determine o resultado final da sessão bisect.

OPÇÕES

--no-checkout

Não faça a averiguação da nova árvore de trabalho em cada iteração do processo de bisseção. Em vez disso, atualize apenas uma referência especial chamada BISECT_HEAD indicando o commit que deve ser testado.

Essa opção pode ser útil quando o teste que você executaria em cada etapa não exigir uma árvore com check-out.

Caso o repositório seja simples, assume-se a opção --no-checkout.

EXEMPLOS

  • Faça o bisect automaticamente uma construção quebrada entre v1.2 e HEAD:

    $ git bisect start HEAD v1.2 --      # HEAD está ruim, v1.2 está bom
    $ git bisect run make                # "make" compila o app
    $ git bisect reset                   # encerra a seção bisect
  • Faça o bisect automaticamente em um teste que falhou entre a origin (origem) e o HEAD:

    $ git bisect start HEAD origin --    # HEAD está ruim, origin está bom
    $ git bisect run make test           # "make test" compila e testa
    $ git bisect reset                   # encerra a seção bisect
  • Faça o bisect automaticamente em um teste quebrado:

    $ cat ~/test.sh
    #!/bin/sh
    make || exit 125                     # ignora as construções quebradas
    ~/check_test_case.sh                 # será que o exemplo passa?
    $ git bisect start HEAD HEAD~10 --   # o culpado está entre os últimos 10
    $ git bisect run ~/test.sh
    $ git bisect reset                   # encerra a seção bisect

    Aqui utilizamos um script personalizado test.sh. Neste script, caso o make falhe, ignoramos o commit atual. check_test_case.sh deve exit 0 (encerrar com 0) ou caso o teste passe e seja exit 1.

    É mais seguro se os arquivos test.sh e check_test_case.sh estiverem fora do repositório para evitar interações entre os processos bisect, make, test e os scripts.

  • Faça o bisect automaticamente com alterações temporárias (hot-fix):

    $ cat ~/test.sh
    #!/bin/sh
    
    # faz ajustes na árvore de trabalho ao mesclar
    # a solução do problema no ramo e tenta compilá-lo
    if	git merge --no-commit --no-ff hot-fix &&
    	make
    then
    	# executa testes específicos no projeto e informa a sua condição atual
    	~/check_test_case.sh
    	status=$?
    else
    	# diga a quem requisitou que isso não pode ser testado
    	status=125
    fi
    
    # desfaça o ajuste para permitir uma alteração limpa para o próximo commit
    git reset --hard
    
    # controle de retorno
    existir $status

    São aplicadas alterações de um hotfix para ramificação antes de cada teste, caso o seu ambiente de construção ou teste tenha sido alterado para que as revisões mais antigas precisem de uma correção que as mais recentes já tenham por exemplo. (Certifique-se que o hot-fix do ramo tenha base em um commit que está contida em todos as revisões que você esteja fazendo o bisect, para que a mesclagem não realize muitos resgates ou utilize o comando git cherry-pick em vez do git merge. )

  • Faça o bisect automaticamente em um teste quebrado:

    $ git bisect start HEAD HEAD~10 --   # o culpado está entre os últimos 10
    $ git bisect run sh -c "make || exit 125; ~/check_test_case.sh"
    $ git bisect reset                   # encerra a seção bisect

    Isso exibe o que você pode fazer sem executar um script caso escreva o teste em uma única linha.

  • Localize uma boa região do grafo dos objetos em um repositório que foi danificado

    $ git bisect start HEAD <known-good-commit> [ <boundary-commit> ... ] --no-checkout
    $ git bisect run sh -c '
    	GOOD=$(git for-each-ref "--format=%(objectname)" refs/bisect/good-*) &&
    	git rev-list --objects BISECT_HEAD --not $GOOD >tmp.$$ &&
    	git pack-objects --stdout >/dev/null <tmp.$$
    	rc=$?
    	rm -f tmp.$$
    	test $rc = 0'
    
    $ git bisect reset                   # encerra a seção bisect

    Neste caso, quando git bisect run encerra, o bisect/bad (ruim) irá apontar para um commit que tenha pelo menos uma origem cujo grafo seja completamente cruzado no sentido requerido pelo comando git pack objects.

  • Procure por uma correção em vez de uma regressão no código

    $ git bisect start
    $ git bisect new HEAD    # o commit atual é marcado como novo
    $ git bisect old HEAD~10 # o décimo commit a partir de agora é marcado como antigo

    ou:

$ git bisect start --term-old broken --term-new fixed
$ git bisect fixed
$ git bisect broken HEAD~10

Conseguindo ajuda

Utilize o comando git bisect para obter uma descrição resumida da sua utilização e git bisect help ou git bisect -h para obter uma descrição completa.

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Parte do conjunto git[1]